Ultraedinho

Histórias · 30 de junho de 2026 · 2 min

30 maratonas em 30 dias: 1.269 km por 360 crianças

O diário do desafio que parou Vitória em junho de 2026: uma maratona por dia, todos os dias, da primeira largada na Praia de Camburi até a chegada da trigésima.


No dia 1º de junho de 2026 eu amarrei o tênis na Praia de Camburi pra começar a coisa mais difícil que já fiz na vida: correr uma maratona por dia, durante 30 dias seguidos, num percurso de 1 quilômetro, volta por volta, do jeito que o Guinness World Records pede pra reconhecer um recorde. No dia 30, cruzei a linha da trigésima. Foram 1.269,7 quilômetros no relógio, que também dá pra contar de outro jeito: 1.269 voltas na mesma volta. A cabeça cansa antes da perna. E é mais que a distância de Vitória a Salvador. Eu brinquei isso na chegada: agora nem precisa de passagem, dá pra ir correndo. Os números completos do desafio, medidos por Garmin, Strava e adidas Running, estão no dossiê do recorde.

Mas esse desafio nunca foi sobre o número.

O porquê

Cada quilômetro tinha nome e endereço: o Instituto Vovô Chiquinho, em Central Carapina, que cuida de 360 crianças. A Dona Dora, que segura aquilo tudo com um amor que não cabe em relatório, me recebeu antes do desafio e eu saí de lá com o propósito montado. Eu disse pra todo mundo que foi me prestigiar nas largadas: do mesmo jeito que vocês vieram aqui, vão lá no Instituto conhecer.

O desafio abriu o caminho pro dia 5 de julho, a corrida solidária do Correndo por uma Causa, o maior movimento de corrida solidária do Brasil. Cada inscrição vira apoio direto pras crianças.

Os dias difíceis

Teve dia de chuva. Teve dia que a live não funcionou e a gente correu do mesmo jeito, sem transmissão, porque o compromisso era com a maratona e não com a câmera. Teve o 16º dia em que o corpo já reclamava na largada e a gente foi assim mesmo, porque tinha gente esperando.

No 29º dia eu agradeci de um jeito especial a quem rezou por mim. Eu recebi cada benção. Se eu estou fazendo o que estou fazendo, é porque Deus está usando o meu corpo pra mostrar que uma pessoa comum pode fazer algo especial.

A chegada

No dia 30, com minha filha do lado e o pelotão inteiro junto, veio a música que me desmontou: "a vida apertava, a mente cobrava, todo dia 118 quilos na balança da dor. Mas a ladeira da vida não derrubou. Ele amarrou o tênis, foi pro asfalto pra vencer."

Quem escreveu isso sabia de onde eu vim. Dos 118 quilos à trigésima maratona consecutiva, o caminho foi o mesmo asfalto.

Foram dias de dor, superação, renúncia e fé. Dias em que o corpo quis parar, mas o propósito falou mais alto. E eu entendi algo muito poderoso: quando a causa é maior que o cansaço, a gente vai além.

O desafio inteiro está registrado nos destaques do @ultraedinho, dia por dia.

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